Acreanas aderem a febre do ensaio sensual e fotos bombam na rede

302

PorLeônidas Badaró

Não é difícil comprovar o título dessa reportagem. Basta navegar em qualquer rede social que em pouco tempo se percebe que os ensaios sensuais caíram no gosto da mulherada e ganham espaço a cada dia no Acre.

A tendência, que é nacional, chegou com força no estado e as mulheres estão cada vez mais pousando com pouca roupa e em alguns casos sem roupa nenhuma para a lente de fotógrafos, que por conta do grande número de pedidos, estão investindo em estúdios exclusivos para a realização de ensaios sensuais.

André Santos

Um dos fotógrafos mais requisitados e que tem feito cursos e buscado se aprimorar ainda mais quando em ensaios sensuais é André Santos. “O ensaio sensual aqui no Acre cresceu muito. Até algum tempo atrás tinha muito preconceito e esse tipo de foto era ligada apenas a acompanhantes de luxo. Hoje, o que a gente percebe é que esse tipo de ensaio contribui para que as mulheres vejam sua melhor versão, que se aceitem como são e se tornaram uma ferramenta que ajuda mulheres até sair da depressão, resgatando a auto estima”, diz André.

O fotógrafo afirma que os ensaios sensuais cresceram tanto nos últimos dois anos que hoje já figuram entre os maiores ganhos financeiros dos profissionais em Rio Branco. “O que dá mais dinheiro hoje é fotografia de formatura, casamento, aniversário de 15 anos e ensaio feminino”, afirma Santos.

O profissionalismo, segundo André Santos, é um dos diferenciais para o crescimento tão rápido dos ensaios sensuais. “O tratamento profissional dado às clientes e os investimentos em equipamentos e capacitação mudaram o quadro e fizeram com que as mulheres passassem a confiar e saber que nada mais é que um trabalho profissional”.

Jarlison Albuquerque é outro profissional que tem feitos muitos ensaios sensuais. Ele conta que 2018, foi o melhor ano para quem trabalha com esse tipo de foto. “Nesse último ano cresceu muito, apesar das críticas, eu particularmente faço muito ensaio de mulheres que são casadas, muitas delas fazem para o próprio marido e algumas para renovar a autoestima. Hoje está se tornando um ensaio comum.

Jarlison Albuquerque e uma de suas modelos

Mas o que tem levado as mulheres a fazer um ensaio sensual? A maioria das respostas para essa pergunta trazem as palavras empoderamento, aceitação, valorização da autoestima e amor próprio.

Elizanir Abreu, professora de educação física, tem 25 anos, e fez seu primeiro ensaio sensual no ano passado. Ela conta o que a motivou a fazer as fotos.

“Vi muitas blogueiras fazendo e me instigou a vontade de fazer um ensaio assim”, afirma.

Elizanir opina sobre o que tem impulsionado essa popularização do ensaio sensual. “Acho que é a necessidade de resgatar a sensualidade deixada de lado pelo caminho que as mesmas trilharam. Assim, se sentem mais empoderadas, levantando a autoestima ou até mesmo presentear uma pessoa amada. Outro fator é que quem não está se sentido bem com seu corpo, decide fazer e quando olha o resultado das fotografias, percebe que o olhar do fotógrafo revelou uma beleza que as mesmas não viam mais no dia a dia”, explica.

Sobre o preconceito, a educadora física afirma que ainda existe, mas as mulheres estão se importando menos. “Atualmente vem aumentando os ensaios sensuais entre as mulheres, com diferentes tipos físicos e idade. Muitas buscam o ensaio como forma de apimentar o relacionamento com o esposo, namorado ou até mesmo por vaidade, para aumentar a autoestima. As mulheres estão mais decididas e não se importam tanto com as críticas que o ensaio irá levar, pois ainda existe bastante preconceito da sociedade em cima de quem faz um ensaio fotográfico sensual”, diz Elizanir.

Se você ainda não viu um ensaio sensual nas redes sociais e imagina que as mulheres que decidem fazer as fotos são apenas as do corpo perfeito, estabelecido pelos padrões estéticos impostos pela moda, esqueça.

Um ensaio sensual pode ser libertador e representar a conquista das mulheres na sociedade.

A estudante de direito, Thayla Fernanda, de 25 anos, é considerada fora dos padrões estéticos pela indústria da beleza. Padrões esses que tem feito com que mulheres lindas, como é o caso de Thayla, se tornem reféns de dietas e intervenções estéticas que podem comprometer a saúde física e mental.

“Eu decidi começar a fazer fotos de biquíni e iingerie quando percebi que desde a minha infância e adolescência nunca me via representada, quando só tinha fotos de mulheres magras nos outdoors, na tv, revista e rede social. Aquilo nunca foi eu. Eu sempre fui gorda. Eu passei e passo por um processo de desconstrução diário porque todo dia vem a sociedade e me diz que meu corpo não é um corpo perfeito, que eu fujo do padrão de beleza. Esse padrão vem sendo quebrado, mas ainda existe. O padrão da mulher magra, alta e loira. Eu percebia que outras meninas passavam por isso. Como eu me aceito, resolvi fazer um trabalho em cima disso”, diz Thayla.

Aceitação do próprio corpo é o que a jovem e futura advogada tenta passar à outras mulheres. “O meu trabalho é fazer com as pessoas se aceitem. Eu proponho a valorização do meu corpo gordo e se olhar no espelho e perceber que você é linda do jeito que você é e que ninguém precisa passar por procedimentos estéticos malucos para entrar no padrão de beleza. O maior barato são os recados que eu recebo de meninas que dizem que se inspirar em mim e que hoje se aceitam, se olham e conseguem enxergar o tanto que são bonitas”, finaliza Thayla.