As cartas estão lançadas na escolha do candidato da Frente Popular

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As cartas estão lançadas no jogo da sucessão estadual, pelo menos dentro dos partidos da Frente Popular. Uma verdadeira quadra de ases está disputando a indicação para o governo do estado, todos bem posicionados, com excelentes qualificações, com boa base para expansão de seu nome e com qualidades reconhecidas. É dentro dessa quadra de pretendentes que deve sair o nome da frente Popular para a disputa de 2018.

Três nomes são do PT: a vice-governadora Nazaré Araújo, o presidente do diretório, deputado Daniel Zen e o prefeito de Rio Branco, Marcus Alexandre.

Outro nome, embora umbilicalmente ligado ao governador Tião Viana, deve se filiar ao PDT nos próximos dias para oferecer uma opção aos demais partidos da coligação: o secretário de Segurança, delegado Emylson Farias.

Todos, em maior ou menor grau, estão se articulando, sem que essas conversas e ações assumam características de pré-campanha. Mas estão liberados pelo governador Tião Viana que é o grande incentivados do processo, a se organizarem e procurarem as bases para debater projetos e articular apoios e a divulgação de se suas ideias.

Daniel Zen

Segundo uma fonte interna do PT, o mais desenvolto até agora tem sido o deputado Daniel Zen. Apontado como uma das grandes revelações da nova safra de lideranças da Frente Popular, líder do governo na Assembleia e presidente do diretório do PT, Zen tem usado suas históricas ligações com as causas e os trabalhadores na Educação, o que seria seu reduto primordial.

Ex-secretário do setor, com uma elogiada gestão, Zen se articula bem com professores com trabalhadores na educação e estudantes, na capital e no interior É nesse público que ele está concentrando, por ora, suas conversas e reuniões. Sem arestas entre os demais partidos, Daniel Zen é um pré-candidato a ser observado, pela capacidade de articulação, pela capacidade de se expressar e de aglutinar pessoas.

Nazaré Araújo

gosta de dizer que nasceu com a política no sangue. E com a capacidade de vencer desafios em sua história familiar, desde que o golpe militar de 64 cassou o mandato de seu pai, José Augusto, primeiro governador constitucional e eleito do estado.

Ela acompanhou as ações de sua mãe, Maria Lúcia, combativa deputada e política e traçou seu próprio caminho profissional, como Procuradora do estado até chegar ao cargo de vice-governadora. Com um currículo exemplar, tem se postado como a candidata das mulheres e dos menos assistidos. Mantém uma agenda de encontros em que as mulheres são protagonistas, embora com pouco tempo para articular sua candidatura.

Com o rompimento político do governador com o presidente Temer, é ela que representa o estado em reuniões administrativas com o novo governo, assumindo ainda esse papel de articuladora e de “algodão entre cristais”, para evitar o rompimento absoluto das relações.

Emylson Farias

O secretário Emylson Farias está aprendendo rápido a ter o que se chama de “embocadura política”. Técnico competente e respeitado na área de segurança, com um Curriculum de êxitos, com a difícil missão de conter as ações do crime organizado, ele tem o que mostrar.

Primeiro, por fazer uma gestão que consegue, ao mesmo tempo, ser dura e rigorosa com a criminalidade, ao mesmo tempo em que mantém o respeito pela lei e pelos direitos constitucionais dos cidadãos, sem excessos e sem a violência institucional.  Depois por não transigir com as facções criminosas que lutam para dominar o tráfico de drogas no corredor acreano.

Dos quatro, é o que poderia apresentar o “telhado de vidro” mais fraco, pois os crimes estão acontecendo diuturnamente. Mas aí é preciso ponderar, pois os assassinatos no estado se dão, em torno de mais de 80% entre os membros das quadrilhas e facções, não contra a sociedade, São mortes entre bandidos, por acerto de contas, uma rixa em que a polícia, na verdade, pode e deve fazer pouco, pois não há sentido tirar o foco da proteção á comunidade para intervir em ações recíprocas da bandidagem.

Com essa bandeira e mais o fato de agregar forças da Frente Popular, além do PT, com sua história de vida exemplar, nascido em Xapuri e que alcançou os mais graduados cargos, Emylson é forte nome, a ser trabalhado.

É considerado tão forte que, mesmo antes de se lançar oficialmente na disputa, vê aumentar a saraivada de críticas nas redes sociais e na imprensa, bancadas por forças que claramente têm seu poder de força como nome sem mácula e sem rejeição, nas eleições.

Marcus Alexandre

Completando o quadro de candidatos, vem o prefeito Marcus Alexandre, uma unanimidade na Frente Popular, mas que tem dado poucas indicações de que esteja mesmo interessado na disputa. Os motivos se prendem à dificuldade de completar as obras e projetos que têm em andamento na prefeitura.

Se conseguir até o próximo ano completar o Shopiing Popular, a questão viária e outras ações prioritárias o quadro pode mudar. Não sendo candidato, Marcus Alexandre, junto com o governador Tião Viana será o cabo eleitoral ideal para qualquer dos pretendentes, exemplo de candidato que saiu de índices irrisórios para a vitória consagradora nas urnas, uma aposta política de um nome novo que deu certo.

Tentam inventar problemas, atritos, complicações políticas para ele em relação ao partido, o que é uma balela já que, ninguém é suicida de jogar fora um nome com seu peso. A questão é de estratégia política e de conveniência pessoal, que ele resolverá até o próximo ano, para u lado ou para o outro.

Por cima de todos esses quatro nomes surge o do governador Tião Viana, avalista de todo o processo e que terá, sem duvida, a abalizada opinião final, do alto de seus oito anos de mandato aos quais se somam mais oito anos de senado. O governador conhece todos os meandros da política acreana, conhece o caminho das pedras e terá condição de discernir, com o apoio de todos os partidos da Frente popular, a melhor composição possível.