Custo dos deputados com combustível chega a quase R$ 60 milhões

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por Mariano Maciel 

Apenas com combustível e lubrificantes custo daria para rodar o mundo mais de 3 mil vezes gastando R$18 mil por pessoa

O gasto dos deputados com combustível e lubrificantes ultrapassou mais de R$ 54 milhões de 2015 a 2017. Se levarmos em conta que o orçamento mensal garante teto de até R$ 6 mil, como justificar tanto gasto? Com esse valor daria para rodar o mundo mais de 3 mil vezes com R$18 mil cada. Esse levantamento foi feito pelo Ranking Político, que atua na classificação e compliance do setor público por meio de ferramentas tecnológicas compiladas pelo Portal da Transparência.

Em 2019, a próxima equipe econômica que ficará à frente dos gastos públicos terá uma tarefa árdua e difícil pelo caminho da redução orçamentária e recuperação econômica do país. De um lado caminha o anseio da sociedade pela redução de gastos públicos, por meio de reformas e propostas orçamentárias, mas gargaladas por interesses escusos em uma sociedade dividida e manipulada por falso moralismo político, que maqueia o gasto real da gestão pública.

Esse paralelo não isenta a sociedade na construção de novos caminhos alternativos para se conseguir um superávit no gasto social, mas a classe política tem ajudado nesse quesito?

Analise recente da consultoria Tendências aponta que as despesas totais do governo ultrapassariam o teto de gastos em 0,4% em 2020, continuando a estourar o limite nos anos seguintes. Entre este ano e o próximo, só a despesa com Previdência passaria de 43,3% do total para 45,6% – chegando a mais da metade em quatro anos.

As políticas públicas estão sofrendo um golpe, com a atitude irresponsável de congelar os gastos por 20 anos. Os mais afetados serão os índios, porque nesse congelamento quem está pagando o preço é a saúde, a educação, é o cuidado com as comunidades mais vulneráveis afirma a ex-senadora Marina Silva, da Rede.

Para ela, o controle dos gastos deveria ser feito via lei orçamentária, e não com alteração na Constituição.

Sobre o Ranking Político:

Os critérios utilizados pelo Ranking são absolutamente técnicos, levando em conta fatores como assiduidade, gastos da cota parlamentar, processos judiciais e atuação legislativa. Todas as informações publicadas no Ranking são públicas, disponíveis nos sites oficiais do Senado e da Câmara dos Deputados e dos Tribunais de Justiça. As análises são feitas por um Conselho de Avaliação de Leis independente, formado por 18 membros que são economistas, cientistas políticos e advogados de reconhecida reputação. As premissas utilizadas pelo Conselho para avaliar as votações são: o fim da impunidade, o combate à corrupção, o combate aos privilégios, e o combate ao desperdício dos recursos públicos.