Dólar registra leve alta com exterior e pacote fiscal no radar

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Estadão Conteúdo

O dólar opera com viés de alta na manhã desta terça-feira, 29, após ter caído na véspera. Os investidores ajustam posições, depois dos ganhos recordes ontem nas bolsas em Nova York em meio a balanços positivos e expectativas comerciais favoráveis entre EUA-China. Internamente, há expectativa de anúncio de medidas do governo para conter gastos públicos (15h).

Os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, planejam se reunir às margens da reunião de cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), que ocorrerá em meados de novembro, no Chile, segundo fonte com conhecimento do assunto. Se “tudo correr suavemente”, Trump e Xi assinarão um acordo comercial preliminar, disse a fonte, que falou sob condição de anonimato.

Contudo, nesta terça-feira, a China acusou os Estados Unidos de “comportamento de intimidação econômica”, após reguladores americanos citarem ameaças à segurança ao propor corte de financiamento para equipamentos chineses em redes de telecomunicações do país. Em coletiva de imprensa diária, o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, Geng Shuang, disse que Pequim “se oporia de forma resoluta ao abuso de poder pelos EUA ao excluir empresas chinesas específicas com acusações indevidas na ausência de provas.”

“O comportamento de intimidação econômica dos EUA é uma negação do princípio da economia de mercado que os EUA sempre promoveram”, disse Geng, acrescentando que a eventual iniciativa de Washington “minaria os interesses” de empresas e consumidores americanos, principalmente em áreas rurais.

No mês que vem, a Comissão Federal de Comunicações dos EUA irá votar sobre a possível proibição de que empresas de telecomunicações utilizem subsídios do governo para pagar por equipamentos de rede fornecidos pelas chinesas Huawei e ZTE.

Às 9h28 desta terça, o dólar à vista subia 0,06%, a R$ 3,9950. O dólar futuro de novembro estava em alta de 0,10%, a R$ 3,9960. Na segunda-feira, 29, a moeda americana fechou abaixo dos R$ 4,00 pela primeira vez desde 15 de agosto, cotado a R$ 3,99, com queda de 0,38%. Sinais de que as conversas para um acordo com China estão avançando, o adiamento do Brexit para fim de janeiro de 2020 e expectativas de encaminhamento de novas medidas de ajuste fiscal, após a conclusão da reforma da Previdência na semana passada, estimularam a demanda pelo real.