Gladson anuncia obras de R$ 20 milhões para ponte e anel viário de Brasiléia

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Resley Saab

Município na fronteira com a Bolívia também terá o terceiro colégio militar do estado, dessa vez em parceria com o Exército Brasileiro

A população de Brasileia recebeu com orgulho o governador Gladson Cameli, na grande festa de comemoração do aniversário de 109 anos de fundação do município, na noite desta quinta-feira, 3. A satisfação tornou-se dupla quando o governador anunciou um aporte de R$ 20 milhões em novas obras para a cidade, que incluem a ponte ligando Brasileia a Epitaciolândia, dentro do projeto de construção do anel viário.

A população de Brasileia recebeu com orgulho o governador Gladson Cameli, na grande festa de comemoração do aniversário de 109 anos de fundação do município Foto: Diego Gurgel/Secom

“Essa ponte vai sair do papel porque o dinheiro já está na conta”, informou Gladson Cameli. Além da ponte, o governador anunciou ainda a construção de um colégio militar, o terceiro no estado e o primeiro a ser administrado com o apoio do Exército Brasileiro junto à Polícia Militar do Estado do Acre.

Desde o palanque, montado na praça Hugo Poli, ele assistiu ao desfile ao lado de autoridades estaduais, municipais, militares e bolivianas, voltando a frisar que a ‘bandeira’ do seu governo é a Bandeira Acreana, enquanto que a logomarca é o Brasão.

Governador frisou que a ‘bandeira’ do seu governo é a Bandeira Acreana, enquanto que a logomarca é o Brasão Foto: Diego Gurgel/Secom

A referência aos dois símbolos máximos da representação estadual tem uma razão. Por várias vezes, Cameli deixou claro que sua administração é para todos, independente de siglas partidárias ou de ideologias políticas.

O governador teceu elogios à administradora do município, dizendo que “se Brasileia hoje é considerada a fronteira da esperança é graças ao esforço de todos vocês e da prefeita Fernanda Hassem”.

O governador teceu elogios à administradora do município, a prefeita Fernanda Hassem Foto: Marcos Vicentti/Secom

“E vou além: Brasileia é a fronteira que o Acre faz com o futuro, com o desenvolvimento, com o crescimento e com o progresso, porque vai passar por aqui tudo o que iremos produzir e escoar em direção ao [oceano] Pacífico e aos mercados asiáticos”, pontuou Cameli.

Colonos, funcionários públicos, donas de casa, jovens e crianças prestigiaram a festa, que este ano contou com o desfile de mais de 15 instituições, entre creches, escolas municipais e estaduais, o Corpo de Bombeiros, a Banda da Polícia Militar, o Exército Brasileiro, e até a escola Mariano Bautista, da cidade de Cobija, no Departamento [estado] de Pando, do outro lado do rio Acre.

Também convidada a participar dos festejos, a governadora em exercício de Pando, Paola Terrazo Justiniano, afirmou que o seu departamento vai intensificar a cooperação na área de segurança pública com o governo Gladson Cameli, tendo como principal interlocutor dessa agenda o vice-governador Major Rocha.

“Vivemos tão perto um do outro que só podemos nos chamar de irmãos. Apenas um rio nos separa. E estamos num lugar bonito, acolhedor com uma relação que é verdadeiramente de irmãos. Por isso, além parceria na área de segurança para nossa fronteira, com alinhamentos produtivos com o vice-governador Major Rocha, lá em Rio Branco, podemos continuar alinhados em favor da unidade e do desenvolvimento regional”, disse Paola Justiniano.

A prefeita Fernanda Hassem agradeceu os esforços do governador de oferecer o seu melhor como administrador do estado para a população local. “Não é fácil ser prefeita numa cidade como Brasileia, onde os recursos são reduzidos para investimentos no bem-estar de nossa população. Ficamos muito agradecidos pelo empenho do nosso governador ao olhar com carinho para nós”, afirmou.

Participaram também da festa o deputado Jenilson Leite, vice-presidente da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa do Estado do Acre e representando o presidente, Nicolau Junior, e os colegas parlamentares Manoel Moraes e Antônio Pedro.

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‘Brasileia está para o Acre assim como o Acre está para o Brasil’

Epaminondas e Vanjur são duas lendas vivas da história de Epitaciolândia e Brasileia, as duas cidades que foram desmembradas num dia qualquer da década de 1990, sem, no entanto, mexer com o brio de seus moradores.

Tanto que os dois se consideram com dupla naturalidade. Epaminondas Rodrigues de Souza, 80 anos, tem pouco mais de um metro e meio, mas sua altura é inversamente proporcional ao tamanho da sua sabedoria. Conhece como poucos os meandros da história da Revolução Acreana.

Epaminondas Rodrigues de Souza disse que Brasileia é o berço da revolução Foto: Marcos Vicentti/Secom.

Sentado à beira da calçada do hotel, aonde vai prosear todas as noites, a diferença hoje é que a movimentação dos desfiles lhe imprime um sentimento de orgulho muito maior que nas noites comuns. Faz questão de estufar o peito, fazer uma pausa como se fosse engatilhar um grito e soltar a garganta viril: ‘Basileia tem a história mais bonita de todos os municípios acreanos. Brasileia está para o Acre assim como o Acre está para o Brasil’.

E não para por aí: “Brasileia é o berço da revolução. Todo brasileiense tem a se orgulhar de aqui pertencer. E a gente só se sente ainda mais honrado em saber que o governador Gladson Cameli está empenhado em fazer o melhor para todos, assim como também a nossa prefeita Fernanda Hassem”.

Encontramos João Evangelista Moreira, o Vanjur, de 86 anos, apreciando a festa desde uma cadeira de plástico, também na calçada. Ao contrário de Epaminondas, ele deve ter lá pelos seus 1,80 m de altura.

“Brasileia está para o Acre assim como o Acre está para o Brasil” Vanjur, de 86 anos Foto: Marcos Vicentti/Secom

De fala macia, olhos cansados, porém, de uma sobriedade mental incomum, Vanjur é saudosista. Relembra com carinho de cada grande detalhe da história da sua vida e da vida da cidade. “Aqui não tinha nada. E meu pai não queria que nascêssemos bolivianos. Então, fui nascer lá ao lado do quartel do Exército Brasileiro, lá na Vila Epitácio, no dia 27 de dezembro de 1933”.

Epitácio foi o primeiro nome de Epitaciolândia. “Depois, nos mudamos pra cá e começamos nossa vida, quando começaram a povoar essas bandas. Na época, de comerciante, só tinha turco e português. Os brasileiros eram só colonos, pessoas que trabalhavam na quebra de castanha e na [extração] da borracha e da pele [de animal] silvestre.

Ele conta que a formação da cidade de Brasileia só se deu mesmo quando as pessoas começaram a descer o rio Acre das colocações, locais onde se concentravam os seringais, com o declínio do tempo áureo da borracha.

“Dizem que relembrar o passado é sofrer duas vezes. Pra mim não é. Pelo contrário, eu me renovo duas vezes quando me lembro, principalmente do nosso passado glorioso. Hoje, só tenho a agradecer a paciência de Jó e a sabedoria de Salomão”.

Processo licitatório das obras já vale para este mês de julho

As obras da nova ponte entre Basileia e Epitaciolândia terão o processo licitatório retomado ainda neste mês de julho. Se tudo correr bem em todas as etapas necessárias para a contratação da empresa que ganhar a licitação, é provável que os canteiros de obras comecem a ser instalados até novembro.

“Se Deus permitir, inauguraremos essa obra até 2021”, explica o governador. Quanto à ponte já existente, Gladson Cameli disse que o governo recuperou o assoalho com uma capa asfáltica.

“Agora, estou autorizando a Seinfra [Secretaria de Infraestrutura e de Desenvolvimento Urbano] para fazer a pintura de toda a estrutura. Também vou assinar com a prefeita Fernanda Hassem mais um termo de cooperação para o fornecimento de asfalto pelo estado para obras de tapa-buraco das ruas de Brasileia. Esse é o meu compromisso com cada um de vocês”.

Foto: Diego Gurgel/Secom

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Foto: Marcos Vicentti/Secom

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