Heitor Júnior, salvando vidas que pareciam perdidas para um novo fôlego de vida

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Em entrevista o deputado estadual Heitor Júnior fala a respeito da sua luta contra as  hepatites no Acre, tanto dentro da Assembleia Legislativa quanto no apoio aos pacientes diagnosticados com a doença. Ele conta ainda detalhes da aliança feita com Deus para obter a cura da doença enfrentada por ele há 12 anos.

Além desse assunto, o deputado mergulha na política acreana e faz uma breve reflexão das chapas para estadual e federal dentro do PDT. Fala, ainda, no tocante a chapa majoritária liderada pelo prefeito Marcus Alexandre e Emylson Farias. 

Ao falar de reeleição, ele diz que quer continuar sua luta em defesa dos acreanos e apresenta o trabalho feito dentro do Parlamento acreano, seja por indicações, anteprojetos e projetos de leis. 

Deputado em que se baseia o seu mandato e qual sua bandeira de luta dentro da Assembleia Legislativa que o senhor tem levando?

Heitor Júnior- Meu mandato trouxe uma referência para o Estado com relação às Hepatites. Em se tratando da vinda da medicação para hepatite C, que já curou mais de 1.500 pessoas, agora neste ano de 2018 mais 1.500 pessoas vão entrar em tratamento. A nossa ideia, é que entre 2018 e 2019 a gente possa ter 20 mil pessoas entrando em tratamento de hepatite B, devido à quebra do protocolo. Então a pessoa diagnosticada com hepatite B hoje, ela entra imediatamente na fila de tratamento. Antes, tinha que ter 22 mil cópias, quantidade de vírus no organismo. A boa notícia é que o Ministério da Saúde vai soltar esse protocolo, ele será quebrado e se Deus quiser mais 20 mil pessoas irão entrar em tratamento. Isso é uma coisa espetacular, se tratando de medicamento e cura.

Outra coisa que temos que nos preocupar muito é com a hepatite Delta. Apesar do Instituto Merrie, da França, ter instalado um laboratório na Fundação Hospitalar, a situação ainda é preocupante. Eles estão procurando a cura para essa doença que é muito agressiva. A região do Acre e a região amazônica de uma forma geral, ela tem muito prevalência da hepatite Delta, que a associação do vírus da hepatite B com a D.

Como eliminar essa doença? Qual a saída para isso na sua visão?

Heitor Júnior– Nós temos a possibilidade de estancar essas duas doenças de uma forma simples até com a vacinação. Se nós colocarmos essas ações básicas de saúde para funcionar, para que as pessoas possam ter acesso a essas três doses da vacina, nós vamos mortalizar a hepatite B e a D no estado até com certa urgência. Mas, precisa ter gestão, precisa ter um controle mais acentuado das ações básicas de saúde em municípios, devido a logísticas e as condições financeiras. E para isso, a gente precisa ter um convencimento, que é um grande sonho que eu tenho, que é erradicar de vez a hepatite B no Acre.

Como ficou àquela situação do aparelho de elastografia que vocês iam adquirir?

Heitor Júnior– Estamos trabalhando para conseguir adquirir uma elastografia hepática, um equipamento para exame que substitui a biopsia tradicional. Eu tenho emendas parlamentares que eu estou juntando para ver se eu consigo comprar comprá-lo, só tem uma pessoa que faz esse exame no Acre, que é o doutor Martone, a maquina é própria dele, e custa R$ 500 e eu posso garantir que a maioria das pessoas não tem condições de fazer esse exame.  Então, esse aparelho seria fundamental para a nossa luta contra as hepatites.

Com muito trabalho e esforço, e graças a parcerias importantes como a da Sesacre, Semsa, e Aphac, conseguimos mais 80 elastrografia hepática, se antes fazíamos 15 exames por mês, agora faremos 95. Uma vitória única, levando em consideração a importância desse exame para os portadores de hepatite, pois é a partir dele que os pacientes são ingressados ao processo de tratamento.  Mais uma vitória nossa para contemplar os portadores de hepatites.

Com essa emenda parlamentar, a ideia é comprar o equipamento e deixá-lo na APHAC e começar a realizar 100 exames por semana, hoje a gente esta fazendo 15 por mês, são 450 pessoas esperando, uma demanda muito grande. Dessa forma, iremos regularizar a questão da elatografia hepática, até porque esse exame é uma exigência do Ministério da Saúde para que os portadores entrem em tratamento. Esse exame mede o grau de fibrose, F1, F2, F3 e F4 hoje está só entrando quem tem F3 e F4. Uma outra vitória que nós tivemos foi a quebra de protocolo para que tenha a possibilidade do F2 entrar. Então, a partir deste ano, as pessoas de F2 irão entrar no processo de tratamento.

E o trabalho nos municípios?

Heitor Júnior– Outra coisa que conseguimos foi o fortalecimento das nossas sedes nos munícipios. Inauguramos uma sede em Cruzeiro do Sul, onde cinco municípios se utilizam da APHAC. Lá, os pacientes recebem diariamente testes rápidos de sífilis, HIV, de hepatite A, B e C, que são diagnósticos precoces e a partir do resultado positivo nós encaminhamos para tratamento. Temos sede também em Tarauacá e Feijó, onde os casos da doença são mais concentrados. Como essa região tem uma infecção muito grande entre B e D, o nosso maior cuidado é para que a gente possa realmente colocar essas pessoas em tratamento. Hoje, o Hospital do Juruá disponibiliza aos pacientes uma estrutura muito boa, tem três médicos infectologista na região, e também conta com estrutura de ultrassom, endoscopia, para que o paciente possa fazer o uso normal do tratamento. Nós acompanhamos tudo de perto.

Voltando a atuação parlamentar, qual projeto o senhor destacaria?

Heitor Júnior– Outra coisa boa também é o meu projeto de gratuidade de transporte coletivo intermunicipal para os portadores de hepatites, que tem ajudado a salvar muitas vidas. Lá em Cruzeiro do Sul, por exemplo, não tem como eles fazerem o exame de elastografia hepática, mas com a gratuidade do transporte coletivo, eles se deslocam para Rio Branco e não pagam mais a passagem de ônibus. Antes, eles tinham até que se humilhar para vereadores, prefeitos, familiares para poder ter esse recurso, hoje eles passam a carteirinha no ônibus com direito a acompanhante e passam dois ou três dias em Rio Branco, fazem o exame e retornam para o município. E nós da APHAC, encaminhamos a medicação deles para o próprio município.  Como essa gratuidade é interestadual todo o estado está se beneficiando desse projeto de minha autoria aprovado na Assembleia.

Também propomos um projeto de lei que é sobre a doação de órgãos. Temos hoje a única Central de Transplante da Região Norte, mas, nós não temos doadores, não temos os órgãos. Então eu propus um anteprojeto de lei, que a partir do momento que a família doa o órgão do falecido o estado se compromete em pagar o funeral. Isso tem incentivado também muitas pessoas, agora domingo tivemos um transplante, o órgão foi daqui de Rio Branco e a pessoa que recebeu é de Rolim de Moura, em Rondônia.

O senhor mantém uma casa de apoio com recursos próprios fora do Acre. Como isso funciona?

Heitor Júnior– Temos também uma casa de apoio em Fortaleza, que ano passado fizemos cinco transplantes de fígado. Se formos comparar, a média do Acre é de dois por ano, e nós fizemos cinco só no ano passado. Nós arcamos com todas as despesas do paciente, as cirurgias são realizadas no Hospital de Fortaleza, tudo feito pelo SUS, mas, a estadia e os demais custos são bancados por mim.

Ainda a respeito do meu trabalho parlamentar, outra conquista do meu mandato foi à inserção da disciplina de hepatites nas escolas. Como forma de informação a respeito da doença, sobre a prevenção, tratamento e todos os encaminhamentos necessários. Eu espero sinceramente que a própria Secretaria de Educação possa dar celeridade na inserção dessa disciplina de hepatites nas escolas porque essas informações são necessárias visto que a hepatite é de fácil transmissão principalmente através de objetos cortantes. É importante que a população do meu estado possa ter conhecimento dessas informações.

Como surgiu o desejo de ajudar as pessoas com Hepatite?

Heitor Júnior– Há doze anos eu fui diagnosticado com hepatite C, e sofri muito com os efeitos colaterais da medicação. Na época perdi nove quilos, tinha muita febre, dor de cabeça, vômito, saia sangue do meu nariz. E eu fiz uma aliança com Deus, a partir de então, eu senti que Deus me curou. Eu tive a respostas nos exames da cura. Fui curado e há doze anos eu ajudo os portadores de hepatite do Acre. Mas, eu não vim para política por conta dessa aliança que eu fiz com Deus, minha necessidade de vir para política veio depois, isso porque a gente não conseguia resolver algumas situações, não tínhamos acesso ao governo, ao prefeito, aos secretários, enfim, aos hospitais. Era sempre com muita dificuldade e depois que eu virei politico as portas se abriram de uma maneira extraordinária. E só quem ganhou com isso foi as pessoas portadoras de hepatites do meu Estado.

Porque o senhor quer ser candidato à reeleição e o que os seus eleitores podem esperar caso vença as eleições?

Heitor Júnior– Eu não fiz nenhuma promessa mentirosa na minha campanha, não fiquei enganando a população do meu estado. Desde o princípio, eu me propus a combater uma doença e tenho me esforçado para conseguir. Tenho trabalhado de forma bem transparente no Parlamento Acreano, na imprensa, mas, temos uma missão grande ainda isso porque mais de 40 mil pessoas estão desenvolvendo a doença, algum tipo de vírus da hepatite e nós temos que combater. Por isso, fazemos diagnósticos precoces diariamente, aquelas pessoas infectadas nós estamos colocando em tratamento. Essa é a minha base, e continuarei trabalhando nisso caso seja reeleito. Essa é a minha intenção, erradicar as Hepatites no Estado ou pelo menos dar uma resposta positiva no número de óbitos. Hoje, infelizmente, morrem 15 pessoas por mês, mas graças a Deus nós avançamos bastante, o governo do Acre tem sensibilizado muito e tem investimentos em tratamentos e contratações de profissionais para atuarem nessa área.  Eu estou trabalhando bastante junto com meus assessores, para que a gente possa ter uma resposta positiva nas urnas.

Como tem sido sua atuação na Comissão de Constituição e Justiça?

Heitor Júnior– Na Comissão nós tivemos uma atuação fantástica para a primeira experiência, a CCJ é a comissão mais importante da casa, demos uma celeridade considerável na aprovação de projetos importantes. Temos pessoas qualificadas na Comissão, como o deputado Daniel Zen que é formado na área junto com o deputado Gehlen Diniz, temos a deputada Eliane Sinhasique que é uma deputada combativa, temos um médico o deputado Jenilson Leite e claro, temos uma base muito boa através da doutora Evelena e toda sua equipe, o que torna o trabalho ainda mais positivo.

O senhor também foi presidente da Comissão de Segurança Pública da Aleac, qual a sua contribuição nesse sentido?

Heitor Júnior– Eu apresentei um anteprojeto que garantia isenção de ICMS aos policiais militares, bombeiros, agentes do Iapen, na hora da aquisição de uma arma de fogo, coletes a prova de balas e munições. Como o deputado estadual não pode apresentar projetos que gerem despesas ao estado, o fiz em forma de anteprojeto, cabe ao Executivo acatar nossa proposta e enviar à Assembleia Legislativa. Isso iria beneficiar as forças de Segurança Pública do Acre no enfrentamento ao crime e garantir a segurança desses profissionais.

Como o senhor analisa o cenário político do Brasil com a atuação da Lava Jato?

Heitor Júnior– Não posso deixar de destacar o trabalho fantástico do judiciário através do juiz Sérgio Moro, no combate às ações criminosas de política. Eu não posso concordar de forma alguma com uma política de condução errada, tenho outros princípios em relação a isso. Espero que se possa fazer justiça nesse sentido porque infelizmente não é só um partido envolvido nisso, são vários partidos, com o aval inclusive de presidentes da República, o que torna o caso uma vergonha nacional. Espero que Deus possa dá sabedoria às pessoas que vão conduzir de forma definitiva esse julgamento para que a gente possa ter a justiça aplicada.

Como o PDT vai ser comportar nacionalmente e aqui no Acre nessas eleições?

Heitor Júnior– Olha, a respeito da condução do PDT no estado do Acre nós vamos ter chapa própria para estadual e federal. Esperamos uma situação privilegiada quanto ao apoio do governo do Estado, nós caminharemos juntos com a Frente Popular. Mas, também vamos ter dificuldade na estruturação das chapas de estadual e federal, porque eu estou na chapa estadual com o presidente do nosso partido, o Tchê, e na chapa federal nos estamos ainda tentando convencer alguns parceiros para esse desafio. Tem o deputado Eber Machado hoje, deputado Jesus Sérgio e o secretário diretor do Deracre Cristovam, que são nomes já certos na chapa de federal. Obviamente é uma chapa que precisa de 16 nomes para concorrer e a barreira maior ainda é convencer mulheres a disputar o pleito.

Quanto à questão nacional nós temos um candidato oficializado já que é o Ciro Gomes, um homem que tem uma vida pública incrível, nunca respondeu um processo. Temos também a bandeira do PDT vinda do Leonel Brizola que é defender o trabalhador, a educação brasileira essa vai ser uma grande vantagem em cima dos nossos adversários. Acredito que o PDT vai ser fortalecer muito depois das eleições de 2018.

Entrevista concedida ao Jornal OPINIÃO