PMs do Acre fecham avenida em protesto e cobram melhorias trabalhistas

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Ato ocorreu nesta terça (3) em frente ao gabinete do governador do estado. Governo disse que sempre esteve aberto ao diálogo com a classe e o reajuste dos militares já é pago.

Por Aline Nascimento, G1 AC, Rio Branco

Um grupo de policiais militares do Acre fechou a Avenida Brasil, no Centro de Rio Branco, nesta terça-feira (3) para cobrar melhorias trabalhistas.

Entre os pedidos está fardamento, novos coletes e o pagamento da sexta parte dos servidores. O ato ocorre em frente ao gabinete do governador do Acre. O trânsito é desviado pela Avenida Marechal Deodoro.

Por meio de nota, o governo do Acre esclareceu que sempre esteve aberto ao diálogo com as entidades representativas de classe dos militares. O governo garantiu que houve uma reorganização dos quadros e diminuição no tempo entre as promoções na carreira.

“Apesar da crise financeira, o reajuste dos militares foi o primeiro a ser aprovado, ainda em 2015, e eles já estão recebendo. Quanto aos investimentos, só em 2017 foram distribuídos 1.657 coletes balísticos e 89 viaturas para todas as forças de segurança pública e, nos próximos dias, outras mais serão entregues”, garante a nota.

O presidente da Associação do Militares do Acre (AME), Joelson Dias, falou que a categoria se reuniu com representantes da Segurança Pública na segunda-feira (2). No encontro foi debatido decisões tomadas neste início do ano

“Foi a segurança jurídica necessária para o cumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta [TAC] referente a sexta parte, que fizemos até manifestação sobre isso ano passado. A Polícia Militar assinou o TAC em que haveria uma modificação na nossa legislação para garantir alguns direitos que temos. Foi dito ontem que não vamos ter isso”, afirmou o presidente.

Servidores fecharam a Avenida Brasil, no Centro de Rio Branco, nesta terça (3) (Foto: Aline Nascimento/G1)

Servidores fecharam a Avenida Brasil, no Centro de Rio Branco, nesta terça (3) (Foto: Aline Nascimento/G1)

Dias contou que, caso não seja cumprido o acordo, os militares podem perder mais de R$ 2 mil do salário. Além disso, os servidores afirmam que estão com os coletes vencidos, pouca munição e têm que comprar farda para trabalhar.

“Tenho que fazer um reconhecimento ao Ministério Federal, não ao nosso governo, que enviou R$18 milhões para Segurança Pública. Não fosse isso estaríamos sem viatura e sem moto. Nossos quartéis estão caindo aos pedaços. Estamos há cinco anos sem fardamento e ontem o governador disse, através do secretário, que não tem nada”, reclamou.

O presidente disse também que o ato conta com a presença de militares de diversas cidades do estado, mas que todos estão de folga. Segundo Dias, o grupo vai adotar medidas mais radicais se não receber um posicionamento da Segurança Pública.

“Nossa ideia é mostrar nossa indignação para o governador, que saiu cantando pneu quando estávamos vindo. A partir de amanhã [quarta,4] começam algumas ações mais contundentes. Trabalhar com aquilo que o governo nos dá, ou seja, nada. O secretário está fazendo campanha com nossa imagem e nossa farda que pagamos com nosso dinheiro. Isso não vamos aceitar mais”, concluiu.