Situação no maior hospital do Alto Acre é caótica: “estamos em colapso”, diz diretora técnica

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José Pinheiro

A vereadora de Brasileia Neiva Badotti (PSB) denunciou a situação caótica no Hospital Regional de Brasileia, com profissionais “saturados”, com plantões de 24 horas. Ela afirmou que o número de profissionais, tanto de médicos quanto de enfermagem, é o mesmo que havia no Hospital Raimundo Chaar. Ou seja, aumentou a demanda, mas o quantitativo é o mesmo de servidores.

Além disso, com a pandemia de covid-19 e a epidemia de dengue, muitos profissionais estão contaminados e outros afastados, em recuperação. Todo esse cenário caótico foi confirmado pela diretora técnica assistencial do Hospital Regional de Brasileia, Joelma Pontes. De acordo com ela, seriam necessários, hoje, 20 técnicos de enfermagem para atender a demanda.

Reforçando a denúncia da vereadora Neiva Badotti, Joelma disse que “diante de todo esse cenário epidemiológico da dengue, covid, nós estamos aqui numa situação… os profissionais cansados, sobrecarregados, desgastados, cansados psicologicamente e fisicamente”.

As denúncias são graves. De acordo com a diretora, o Hospital Regional de Brasileia está em “colapso”. “E, assim, agorinha, eu te digo que estamos em colapso. Estou com um paciente dentro do pronto-socorro porque eu não tenho vaga dentro da enfermaria do covid. E aí, como é que eu deixo um paciente no PS contaminado e eu não tenho uma ambulância que eu possa agora fazer transferência? E pode chegar um outro paciente dentro do pronto-socorro correndo risco de se contaminar, porque eu estou com um paciente que está com covid dentro do pronto-socorro”.

Médicos

Joelma Pontes disse que atualmente quatro médicos atuam diariamente na Unidade. Um deles é exclusivo para atender no ambulatório-covid e na enfermaria. Mas, esse atendimento fica precarizado, isso porque não há como atender pacientes em estado graves de covid-19 na enfermaria, que precisam de uma atenção permanente, e ao mesmo tempo atender pacientes que estão chegando na unidade com febre acima dos 39 graus. Ou seja, um caos. Atualmente 13 pacientes acometidos pela covid-19 estão internados na enfermaria superlotada.

Alerta aos prefeitos

Joelma Pontes alertou aos prefeitos para que façam sua parte no tocante à atenção básica. Ela destacou que muitos pacientes que procuram o Hospital Regional, são pacientes que eram para ser atendidos na Atenção Básica, ou seja no posto do bairro. Pontes acredita que isso não é cultural como alguns dizem, mas sim pelo fato do paciente saber que no Hospital Regional, uma espécie de pronto-socorro, o problema vai ser resolvido. Esse alto fluxo comprime e sufoca o sistema de Saúde, o levando ao colapso, destaca a gestora.

Atendimentos

De outubro até dezembro de 2020, o Hospital Regional de Brasileia atendeu mais de 3.500 pacientes que deveriam ter sido atendidos na rede da Atenção Básica de Saúde. Ou seja, de responsabilidade das prefeituras.